sábado, 22 de agosto de 2009
O fim
Como eu já havia relatado antes nossas vidas mudariam e mudou,depois de ter vivido 5 anos de minha vida em uma família onde a maioria eram mulheres encabeçando,e mandando muito bem sozinhas,eu estava de certa forma mais sossegada,pois haviam ficado no passado tudo o que havia acontecido no bairro do Lausane Paulista;pelo menos era oque eu acreditava,mas mau sabia que outras coisas estavam por acontecere.Os anos eram anos 80's,bem no inicio,tocava-se nas rádios muito Roberto Carlos,Xitão e Xororó,como outras nacionais ouvia-se Paulo Barbosa,Eli Correia,Afanásio,Gil Gomes,Zebetio....,minha avó amava essas rádios.Nessa época minha mãe trabalhava na Sabesp,e foi lá que ela conheceu aquele que mudaria nossas vidas por completo,para sempre,e mudou. Bem como naquela época opinião de criança não interessava e elas nunca participavam de nada que adulto fizesse,pelo menos lá em casa era assim,quando eu fui saber já estava tudo acertado,nós nos mudaríamos para a cidade de Osasco por um tempo,não sei porque,e depois voltaríamos para São Paulo capital.A primeira providência a ser tomada era ver quem iria e quem seria despachado,minha mãe se livrou dos meus primos porque o namorado dela não queria leva-los,Wagner e Wanderlei na época com 7 e6 anos,foram mandados para morarem com a família do pai,o famoso Neno do Peruche que colocou pânico no pessoal de lá enquanto estava vivo,pra se ter uma ideia do porque,(uma vez ele chegou em um bar onde ele mora e se interessou por uma mulher que estava com o seu marido que era dono do bar,houve uma discussão ele desacatou a mulher,arrancou uma peixeira da cintura e decepou o seio dela, o dono do bar indignado com aquele ato,não pensou,pegou um revolver que ele tinha e descarregou no pai dos meus primos,ali acabava a trajetória do famoso Neno do Parque Peruche.)Meus primos foram então mandados para morar com as tias,tudo porque quem pagaria o aluguél apartir daquele ano era o namorado de minha mãe,aquela atitude me arrasou,eu achei uma tremenda injustiça,lembro-me dos meus primos chorando não querendo nos deixar,Wanderlei o mais novo era quem mais chorava,esperneava,se debatia por não querer ir embora,se connosco a vida não era fácil,com suas tias era pior ainda e eles sabiam disso,por esse motivo eles vieram morar connosco,e por esse motivo eles não queriam voltar.Mas minha mãe não se compadeceu e eles partiram.Logo depois meu irmão Marcio com 17 anos também foi embora,alguns dias mais tarde nos mudamos para Osasco,era uma casa de 2 comodos semi- reformada,com um amplo quintal,em um lugar aparentemente tranquilo,eu trago no dedo anelar da mão esquerda uma cicatriz feita por uma palha de aço assassina,eu tinha 6 anos e fui colocada para ajudar a limpar o chão de nossa temporária nova casa na tentativa de tirar a tinta que respingara quando alguem inteligente não forrou o chão ao pintar as paredes,como eu não estava conseguindo por não ter forças no braço,achei que era porque a palha estava inteira,e como eu tinha o habito de lidar com bombril,que era a marca que monopolizava a época,achei que se eu dividisse a palha ao meio teria mais sucesso,caramba ela paressia tão inofensiva,parecia muito com a famosa esponja de aço,não que eu soubesse ler mas hoje eu sei que uma se chama palha de aço,e a outra esponja de aço,mas enfim eu tentei dividi-la com a mão e me lembro que só senti a dor e o sangue começou a escorrer,eu comecei a chorar levei uma bronca e fui dispensada do serviço antes de conclui-lo.Casa limpa,móveis arrumado, nos instalamos e começamos a nossa vida em em pacato bairro de Osasco,minha família estava resumida a 9 membros agora,mais o novo amor da vida de minha mãe,porque pra se desfazer de parentes consanguinios por um cara tinha que ser amor ,paixão,fixação,sei lá,eu nunca entendi,e perguntar, nem pensar criança não tinha voz em casa.Então minha vida era trabalhar e tentar brincar,se minha avó deixasse,uma vez minha irmã adolescente arranhou a perna em uma pia c/ gabinete de brinquedo que eu tinha,na mesma hora minha avó tirou de mim e mandou que jogassem no lixo.Quando chegou Outubro em Osasco o namorado de minha mãe comprou presente para todas as 3 crianças da casa e na hora de entregar me disse que aquele era meu último presente porque eu ia fazer 7 anos e meus presentes seriam: vassouras,rodos,panos,louça pra lavar,até que eu não o achava ruim,mas depois dessa...foi exatamente assim que aconteceu,agora ele mandava,ele decidia.
domingo, 16 de agosto de 2009
Minha avó
Minha avó era o tipo de pessoa que não dava folga pra crianças, era marcação cerrada ,principalmente quando a criança era 1º menina,2º sem pai,e para felicidade de minha avó a maioria eram meninas sem pai,de homem só haviam o Édson e o Marcelo,de mulher haviam a Roseli minha prima,a Silmara a Sandra a Deizy,a Regina minhas irmãs e eu todas sem pais,vale lembrar que quando minha mãe conheceu o meu pai ele já tinha 4 filhos do outro relacionamento que não havia dado certo,por isso minha família era tão grande. Por ser tão implacavél fugir da minha avó era difícil mas não impocivel,uma vez eu tentei correr dela e descobri que crianças correndo de um adulto é perda de tempo,um adulto sempre alcança,sempre pega aí o chicote estala,só o meu primo Wanderlei conseguiu correr uma vez e não ser pego,ele correu para não apanhar mas nós sabíamos que era pior,então pra que correr? mas ele correu e estava decidido a não voltar pra casa ,pois ele sabia que se voltasse o chicote ia estalar,minha avó mandava chamar,mas ele dizia que não ia vir porque ela iria bater nele,o dia passou e minha avó foi vencida pelo cansaço,ela desistiu de bater nele e só assim o Wanderlei voltou da rua,ele foi a única criança que correu dela e conseguiu escapar de apanhar,ele se tornou uma lenda,um herói,nem o irmão dele o Wagner tinha tal coragem,quem não chorava era considerado ruim e o Wanderlei era um que não chorava,a Sandra era outra criança que apanhava muito mas não chorava,então eles eram os ruins.Eu sempre fui boca aberta,mas chorava em secreto,o que nós ainda não sabíamos era que os nossos dias como grande família infantil,estavam contados,aquele que poderia ser considerado de O destruidor de família, ainda estava por vir,e olha que a nossa família não era um exemplo a ser invejado,mas se tornaria pior, e tudo que nós crianças considerávamos um pesadelo e queríamos acordar ou que alguém nos livrasse de lá, tornaria algo destruído sem chance de conserto.
sábado, 8 de agosto de 2009
A mudança
Depois de alguns longos meses de solidão e medo,vivendo entre castigos e surras esperando que algo acontecesse,que alguém viesse e mudasse aquilo, me tirasse daquele porão nos mudamos para outro bairro,era época de Lionel Richie, Atlantic Estar, mais Michael Jackson. Uma época difícil,éramos 3 crianças na casa,Marcelo,Edson e eu,os outros eram adolescentes,Sandra,Roseli,Silmara,Márcio,a maioria eram irmãos por parte de pai,não demorou muito e as crianças da família aumentaram,chegou mais 2 primos para morar conosco, ao todo éramos 11,pessoas vivendo na mesma casa,e a mãe dos meus primos vinha aos finais de semana e elevava esse número para 12,os outros membros eram minha avó e minha mãe,meu pai havia falecido quando eu tinha 3 anos .Um momento que marcou com nossa passagem pelo Jardim Vista Alegre foi quando um dia nós desobedecemos a Roseli minha prima que era quem cuidava de nós enquanto nossa avó e minha mãe iam trabalhar,subimos encima da nossa laje que dava acesso ao quintal de uma vizinha,e lá havia um pé de pimenta,eu nunca tinha ouvido falar de pimenta antes,e foi assim que eu a conheci,peguei na mão para saber oque eram aquelas coisinhas tão vermelhinhas,nem uma das crianças sabiam explicar oque era,mas não bastava só pegar,tinha de abrir,mas só abrir não bastava,tinha de esfregar nas mãos e sentir o odor, só não levei a boca pois tinha por habito não fazer,uma vez curiosidade matada ficamos olhando ao longe,não me lembro porque cargas d´agua levei as mãos aos olhos,não precisei nem esfregar,eles começaram a arder ,e quanto mais eu esfregava mais ardia,não adiantava as crianças soprarem pois eles não tinham forças o suficiente,e eu não sábia se chorava,pulava ou buscava ajuda a quem havia dito para eu não ir à laje.Que sufoco. As noites eram sempre tristes,os adolescentes saíam logo depois de minha mãe,ficávamos com minha avó que era implacável em suas regras que eram adolescentes não saiam,crianças dormiam cedo,não se metiam em conversas de adultos,não tinham credito oral em comparação a ninguém.Vocês já viram segurar 4 adolescentes em casa em um final de semana nos anos 70´s com bailinhos caseiros tocando Lionel Richie,Marvin Gaye,Dianna Ross...,eu também não,elas esperavam minha avó ir dormir e pulavam a janela,era assim que acontecia.Minha avó dizia que eu era muito sossegada desligada,também pudera eu tinha apenas 5 para 6 anos e já havia sofrido abuso sexual aos 4,mas tudo ia razoavelmente bem em comparação ao passado,lembro que minha tia tinha uma peruca que naquela época era moda usar e quando eu colocava me sentia diferente,era divertido,minha mãe tinha muitos amigos que não eram flores que se cheiravam,mas respeitavam muito todas nós,uma casa onde a maioria eram mulheres os homens que tinham eram crianças,morando em um bairro até então desconhecido,mas ninguém ousava mexer nem com as adolescentes nem com as crianças nem com as mulheres adultas da casa,quando essas flores que não se cheiravam precisavam de assistência minha mãe dava,e quando ela achava que tinha de puxar as orelhas,ela puxava,eles gostavam de nós e o mais importante respeitavam todas nós.Minha mãe trabalhava na Sabesp,era encarregada de limpeza e com o salário que ganhava pagava aluguél,água,luz,e.mantinha todas nós com a ajuda da minha avó e da minha tia,mas foi nesse serviço que ela conheceria alguém que mudaria nossas vidas mais uma vez e para sempre com certeza... .
domingo, 2 de agosto de 2009
Quantas crianças precisam de ajuda e não há quem as ajude,é muito difícil para algumas pessoas entenderem, mas não é difícil para quem já passou por situação semelhante;e para piorar a situação você não se sente melhor depois que crescer, não é mais seguro quando você alcança determinada idade,isso não tem solução,porque pessoas que praticaram tais atos no passado faleceram e novas nasceram e continuarão a nascer,e vitimas desses monstros vestidos de seres humanos também,assim é difícil identifica-los para vitimas de tais atos só resta se fechar em seu próprio mundo,sorrir para todos,pois nem todos são assim,desconfiar de todos pois nem todos são confiáveis,e esperar que algo aconteça para proteger possíveis novas vitimas dessa espécie de monstro,pois há outras espécies,e por mais que se faça nunca será o suficiente para por fim definitivo a isso. Saímos de lá e com a saída só recordação ruim na bagagem,e não eram poucas,próxíma parada Vila Dionisia,tempo em que crianças não podiam ser crianças,não que tenha mudado muito agora,pois existem casas e famílias onde crianças ainda não podem ser crianças,em plena cidade grande,em pleno século 21.Na minha "família" naquela época crianças não brincavam,detalhe,crianças do sexo faminino,e para nosso tormento eramos na grande maioria mulheres,ou melhor,meninas.Opressão por todos os lados,agressão não faltava,socorro não havia,mas dias piores viriam,e enquanto esses dias não chegavam...,aprendi que as escolas aqui não se diferem muito das escolas norte americanas,pelo menos no quisito violência,eu temia ir para o antigo pré,haviam duas irmãs que me atormentavam,me levavam até um alto monte e ameaçavam me lançar lá de cima,eu pavor delas,ir ao pré era um tormento,e não tinha socorro,lembro que minha mãe me levava antes de ir trabalhar,haviam vendedores de doces como sempre houve nas portas das escolas,ela comprou doce colocou na bolsa e foi embora,quando eu a vi comprando doce acreditei que ela estava comprando pra mim,no primeiro dia de pré,mas eu estava enganada,me fechei e nunca disse nada,é a única lembrança que eu tenho de minha mãe me levando à escolinha,também lembro dos uniformes vermelhos e brancos,shortes vermelhos,tenis vermelho,meias brancas,camisas também brancas e uma sacolinha vermelha,é a única lembrança boa que eu tenho dessa época.Chegou o tempo de nos mudar para o Jardim Vista Alegre,um começo para um novo tempo de sofrimento.
Lembranças-o retorno
Todos tem as suas lembranças,retornam no tempo através de uma musica ,um filme,desenho,e,alguns tem oque é chamado de bloqueio,isso se dá quando por algum motivo algo em nossa vida por algum motivo é bloqueado,e,sinceramente há momentos que eu preferiria que tivessem bloqueados mas... .Os anos eram 70,'s mais especificamente 1978,quem não se lembra desses anos 70's cabelos black power,calças boca de sino.Michael Jackson,Beatles,Roberto Carlos,A mulher Biônica,Bang bang a italiana... .Em 78 eu tinha 4 anos e uma vida igual a de muitas crianças que não difere de outras hoje,esse tipo de acontecimento não é novo e nem tem 30 anos;entre outros acontecimentos que serão relatados serve antes de tudo pra mim me livrar de
certa forma dessas lembranças sem ter que encarar alguém de frente que me constranja,e quem sabe de ajuda para outras como eu.São Paulo anos 70's lembro-me do local, uma casa situada no bairro de Lausane Paulista,moravamos na mesma casa de uma tia,não durou muito tempo,mas o tempo que durou parecia eterno,foram apenas alguns meses,escuros e medonhos alguns meses.Era noite e ele tinha o hábito de nos levar para nos dar banho,ele chegava da rua,perguntava para os adultos se já tinhamos tomado banho e levava-nos para lá,eu lembro-me que torcia para que minha vó nos desse banho antes dele chegar,mas nem sempre era assim,então iamos para o banheiro,ele não secava ninguém,só a mim e me tocava de uma maneira imunda e odiosa,como eu odiava aqueles dias,não suportava aquele homem,não queria estar ali,tudo oque havia era o medo e a solidão.Porque não falar para alguém porque não pedir ajuda,a resposta é óbivia,simplesmente eles não ligavam,a quem isso importaria,enganasse e muito quem acreditar que crianças não se apercebe oque acontesse a sua volta,que crianças não entendem,talvez elas não tenham em quem confiar tenham medo de tudo e de todos mas elas entendem sim.Por algum motivo eu tinha um disturbio urinário noturno,más eu não era a única criança com esse problema mas era a única que sofria punição por isso,talvez por ser a mais velha,não sei e o pior é que nunca vou saber.Havia um porão escuro onde estava temporariamente as coisas de minha mãe,um quadro com um menino chorando de blusa vermelha um outro com uma linda rosa também vermelha,algumas aranhas e era tudo que eu tinha de compania
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