sexta-feira, 20 de novembro de 2009
BEM VINDOS A PENHA BRASIL, SÃO PAULO.
AGORA ESTAMOS MORANDO EM SÃO PAULO,NA GRANDE SÃO PAULO,EU NÃO SABIA COMO SERIA MINHA VIDA E NÃO ME PREOCUPAVA COM ISSO,EU SÓ QUERIA PAZ, A PAZ QUE NUNCA TIVE, ATÉ POUCO TEMPO.NESSA ÉPOCA EU TINHA 8 ANOS, O ANO ERA 1982 MINHA VIDA CONTINUAVA A MESMA,SURRAS PARA LAVAR LOUÇA,PARA LIMPAR A CASA,POR FAZER XIXI NA CAMA...COMO MINHA MÃE HAVIA COLOCADO MINHA IRMÃ SANDRA DE 16 ANOS PRA RUA LÁ EM OSASCO PORQUE ELA TINHA ENGRAVIDADO,MINHA IRMÃO SILMARA TINHA IDO MORAR COM O MEU IRMÃO MÁRCIO POR NÃO QUERER VIVER SOBRE AS NORMAS RÍGIDAS E MESQUINHAS DO NOVO AMOR DA MINHA MÃE, FICAMOS A ROSE MINHA PRIMA COM 17 ANOS,EU COM 8 ANOS, MEU IRMÃO MARCELO COM 6 ANOS, MEU PRIMO EDSON COM A MESMA IDADE, AS MAIS NOVAS FILHAS DE MINHA MÃE COM NOSSO PADRASTO,A KELLY COM 2 ANOS E A TASSILA COM 1 ANO.COMO NINGUÉM MAIS SE ENQUADRAVA NO PERFIL PARA APANHAR TODAS AS SURRAS SOBRAVAM PRA MIM, EU SEMPRE ACHEI QUE MINHA AVÓ NÃO ERA NORMAL, ELA JÁ NÃO BATIA MAIS NA ROSE POR SER ADOLESCENTE, ELA NÃO BATIA NOS MENINOS, EU NUNCA DESCOBRI PORQUE,ELA NÃO BATIA NAS MAIS NOVAS POR SEREM BEBES,ENTÃO SOBRAVA PRA MIM, E EU NÃO TINHA PRA ONDE CORRER, PRA QUEM PEDIR SOCORRO,ENTÃO AGUENTAVA TUDO CALADA. OS NOS FORAM PASSANDO E MEU ÚNICO LOCAL DE REFUGIO ERA A ESCOLA POR ISSO EU AMAVA IR PARA A ESCOLA E ODIAVA TER DE VOLTAR PARA CASA,MAS TINHA DE VOLTAR, LEMBRO QUE NO INICIO DE NOSSA ESTADIA NA BIG SAMPA, A FILHA MAIS VELHA DO NOVO AMOR DA MINHA MÃE FOI MORAR CONOSCO, ELA CHEGOU DIZENDO QUE ERA EVANGÉLICA DE UMA ÉPOCA QUE NÃO SE PODIA NEM OUVIR MUSICA, MAS ELA QUEBRAVA AS REGRAS, BURLAVA AS LEIS E SE MOSTRAVA PIOR DOQUE QUEM NÃO ERA. A ANA, NOME DA FILHO DO LUIZ ,NOSSO PADRASTO,FUMAVA,BEBIA E IA PARA AS BALADAS DEITAR OS CABELOS COM OS RAPAZES,LEMBRO QUE UMA VEZ EU ESTAVA SENTADA NA SALA VENDO TELEVISÃO E ELA SE SENTOU DO MEU LADO, ERA NOITE A LUZ DA SALA ESTAVA APAGADA,ELA PEGOU A MINHA MÃO E COLOCOU DENTRO DA SAIA DELA E PEDIU QUE EU ESFREGASSE MINHA MÃO , EU NÃO ENTENDI OQUE ESTAVA ACONTECENDO;NO INICIO ACHEI QUE FOSSE ALGO LEGAL ,NINGUÉM HAVIA PEDIDO PARA SEGURAR MINHA MÃO ANTES,DEPOIS ELA PEDIU PARA QUE EU COLOCASSE A MÃO NA BARRIGA DELA,LEMBRO QUE PENSEI QUE ELA ESTAVA MACHUCADA E QUERIA QUE EU TOCASSE O MACHUCADO,DEPOIS PEDIU PRA QUE EU DESCESSE A MÃO,MAS QUANDO FIZ ISSO ME ASSUSTEI,TIREI MINHA MÃO E DISSE NÃO QUERIA ,DEPOIS DISSO ELA NUNCA MAIS INSISTIU,TAMBÉM FICOU POUCO TEMPO CONOSCO. FOI QUANDO EU FIZ 11 ANOS E VEIO MINHA MENARCA MINHA MÃE CONFIOU A ELA A MISSÃO DE EM EXPLICAR COMO SE USAVA UM ABSORVENTE,MAS NÃO ME LEMBRO DELA TER FEITO NADA ALEM DO PEDIDO, E LOGO ELA FOI EMBORA.QUANDO EU FIZ 12 ANOS MEUS SEIOS COMEÇARAM A CRESCER E CHAMAR A ATENÇÃO,E UMA DAS ATENÇÕES CHAMADAS FOI A DO PAI DAS MINHAS IRMÃS, POR DUAS VEZEZ PEQUEI ELE ME ESPIANDO,A PRIMEIRA VEZ EU ESTAVA TROCANDO A CAMISA PARA IR Á ESCOLA, E QUANDO OLHEI PARA JANELA PEQUEI ELE SE AFASTANDO DELA, NA SEGUNDA VEZ EU TAMBÉM FUI TROCAR DE CAMISA PARA IR Á ESCOLA, COMO EU TOMAVA BANHO PELA MANHÃ PORQUE FAZIA XIXI NA CAMA, NO HORÁRIO DO ALMOÇO ERA SÓ TROCAR A ROUPA, MAS EU QUERIA TER CERTEZA DE QUE DA OUTRA VEZ NÃO FOI UMA MAL IMPRESSÃO MINHA. QUANDO MINHA AVÓ DISSE PARA EU IR TROCAR DE ROUPA PORQUE ESTAVA NA HORA DE UE IR Á ESCOLA EU FUI PARA O QUARTO MAS NÃO TROQUEI DE ROUPA E FIQUEI ESPERANDO OLHANDO PARA JANELA,E NÃO DEU OUTRA, ELE APARECEU NA JANELA,QUANDO VIU QUE EU ESTAVA VENDO FICOU SEM GRAÇA E SAIU, DEPOIS DISSO EU PASSEI A FECHAR A JANELA. UM DIA EU ESTAVA FAZENDO LIÇÃO NA MESA DA COZINHA COMO SEMPRE, COMO ELE ERA VIGIA DA SABESP TRABALHAVA POR ESCALA, HORA DE DIA, HORA DE NOITE,NAQUELE DIA ELE ESTAVA DE FOLGA POR TER TRABALHADO A NOITE, EU ESTAVA FAZENDO A LIÇÃO E ELE SE APROXIMOU PRA VER OQUE EU ESTAVA FAZENDO,COM AR DE POSSO AJUDAR, SE DEBRUÇOU SOBRE A MESA E COMEÇOU A ALISAR O MEUS CEIOS, EU FIQUEI ASSUSTADA E SEM REAÇÃO, E ISSO SE REPETIU MAIS VEZES. UM DIA MINHA TIA QUE MORAVA EM ITAQUAQUECETUBA E HAVIA ESBOFETEADO ELE NO PRIMEIRO DIA QUE NÓS NOS MUDAMOS,POR ELE TER PASSADO A MÃO NELA QUANDO ESTAVAM DESCARREGANDO A MUDANÇA, ESTAVA EM CASA, EU OUVI ELA E MINHA MÃE CONVERSANDO SOBRE ESSE ASSUNTO, E MINHA TIA PEDIA PARA ELA TOMAR CUIDADO COM ELE EM RELAÇÃO A MIM, PORQUE EU JÁ ESTAVA UMA MOÇA, E DEU EXEMPLOS DELA E DA MINHA IRMÃ SANDRA, QUE ELE TAMBÉM TINHA TENTADO ALISAR E ELA FEZ UM ESCÂNDALO, MAS MINHA MÃE NÃO ACREDITOU NELA,EU SABIA QUE PROVAVELMENTE IRIAM ME CHAMAR,E SE ME PERGUNTASSEM EU SABIA OQUE DIZER, E NÃO DEMOROU MUITO, ELAS ME CHAMARAM...
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
péssimas lembranças
Vivemos um ano em Osasco,ali eu vi um trabalhador ser assaltado com um revolver pela primeira vez,vi minha mãe jogar minha irmã para fora de casa para ser espancada por umas meninas da área,vi nossa casa depois de um assalto quando voltamos de um passeio da grande São Paulo,não havia sobrado quase nada,oque eles não puderam levar destruíram.Um dia nós fomos ao lugar de tormento para mim, no Lausane Paulista,bairro onde eu morei quando tinha 4 anos e sofri abuso sexual da parte do meu tio,passamos lá o fim de semana e voltamos no domingo á noite,lembro-me que todos já estavam prontos para sair e foi feita a pergunta que todos os adultos fazem para as crianças(alguém quer ir ao banheiro),eu queria mas disse que não,tinha medo de que quando saísse do banheiro não encontrasse mais ninguém,que eles fossem embora e me deixassem para traz,naquele meu lugar de tormento e péssimas lembranças.Quando chegamos em casa ela tinha sido assaltada,havia discos quebrados na rua,roupas jogadas pela casa,comida espalhada por todo lugar,eles levaram o aparelho de som,televisão,discos antigos,entre outras coisas,minha mãe foi na delegacia deu queixa mas a policia disse que não havia oque se fazer,foi encontrada uma correntinha de ouro enrolada no fil de energia,deduziu-se que não eram ladrões entendidos do assunto.Cansada de esperar pela policia e de ouvi-los dizer para esquecer o assunto e comprar tudo novo,minha mãe começou a investigar por conta e descobriu onde estavam as coisas roubadas, então ela chamou a policia e foi a casa dos ladrões,onde encontraram as coisas roubadas,a surpresa maior foi quando ela viu que quem havia roubado a casa foram uns rapazes que estavam lá uma semana antes em uma festa que ela havia dado,e ficaram sabendo que nós iríamos passear e que não ficaria ninguém em casa,na verdade o informante foi minha própria mãe que no meio da conversa acabou revelando isso para aquele bicos na festa,é que minha mãe sempre foi dada a festas,e a fazer amizade com quem quer que fosse .Os rapazes foram parar na cadeia,suas mãe intercederam por eles,mas minha mãe estava irredutível,devido ao fato de quem eram os rapazes,eles tinham ido a nossa casa comido da nossa comida,bebido da nossa bebida,abusado da confiança dela sem terem sido convidados e roubado,por esse motivo ela disse não.Logo depois nos mudamos para a grande São Paulo,no bairro da Cachoeirinha,em um sobrado que se localiza na Av General Penha Brasil.ali começaria uma nova fase que eu preferiria que nunca tivesse existido,se houvesse uma maquina do tempo e eu tivesse que escolher uma época para voltar e mudar tudo seria exactamente ali no ano de 1982.
sábado, 5 de setembro de 2009
Lembranças de minha vida
Sabem acredito que crianças devem ser crianças,viverem como crianças e ninguém tem o direito de tirar isso delas.meu Deus,malditos todos aqueles que destroem vidas de crianças.Depois de termos nos mudados para Osasco eu fui matriculada em uma escola e até hoje não me esqueci o nome dela [EEPSGrº Drº Américo Marcos António].No primeiro dia de aula minha mãe me levou para a escola,comprou seu doce colocou na bolsa,me disse que era a única vez que me levaria ,era para eu aprender o caminho porque no dia seguinte eu iria só,naquele momento esperava que ela se preocupasse comigo por atravessar uma Avenida que ficava no caminho da escola escola,mas não houve tal preocupação,e aquilo me entristecera muito,eu nunca havia andado sozinha,nunca tinha atravessado uma rua sozinha,tinha 7 anos,o mundo me assustava,mas ela não sabia e nem queria saber.Minha avó continuava a bater em mim,a impressão que eu tive é que eu era o saco de pancadas dela,sei lá,ela batia porque eu mijava na cama,porque eu não queria lavar a louça,porque eu queria brincar,porque eu queria ser criança e não queria ter responsabilidade de adulto,só queria ser criança. Quando nós morávamos no Lauzane Paulista minha avó ganhou do meu tio uma correia de mais ou menos 10cm de espessura feita de borracha de pneu,era com aquilo que ela batia em nós mulheres,onde aquilo acertava inchava na hora,minhas irmãs junto com a minha prima tentaram se livrar das surras jogando em um rio , de inicio ela subistituiu por um chicote de boiadeiro,depois,ele fez outra e deu para ela,não havia como se livrar não
sábado, 22 de agosto de 2009
O fim
Como eu já havia relatado antes nossas vidas mudariam e mudou,depois de ter vivido 5 anos de minha vida em uma família onde a maioria eram mulheres encabeçando,e mandando muito bem sozinhas,eu estava de certa forma mais sossegada,pois haviam ficado no passado tudo o que havia acontecido no bairro do Lausane Paulista;pelo menos era oque eu acreditava,mas mau sabia que outras coisas estavam por acontecere.Os anos eram anos 80's,bem no inicio,tocava-se nas rádios muito Roberto Carlos,Xitão e Xororó,como outras nacionais ouvia-se Paulo Barbosa,Eli Correia,Afanásio,Gil Gomes,Zebetio....,minha avó amava essas rádios.Nessa época minha mãe trabalhava na Sabesp,e foi lá que ela conheceu aquele que mudaria nossas vidas por completo,para sempre,e mudou. Bem como naquela época opinião de criança não interessava e elas nunca participavam de nada que adulto fizesse,pelo menos lá em casa era assim,quando eu fui saber já estava tudo acertado,nós nos mudaríamos para a cidade de Osasco por um tempo,não sei porque,e depois voltaríamos para São Paulo capital.A primeira providência a ser tomada era ver quem iria e quem seria despachado,minha mãe se livrou dos meus primos porque o namorado dela não queria leva-los,Wagner e Wanderlei na época com 7 e6 anos,foram mandados para morarem com a família do pai,o famoso Neno do Peruche que colocou pânico no pessoal de lá enquanto estava vivo,pra se ter uma ideia do porque,(uma vez ele chegou em um bar onde ele mora e se interessou por uma mulher que estava com o seu marido que era dono do bar,houve uma discussão ele desacatou a mulher,arrancou uma peixeira da cintura e decepou o seio dela, o dono do bar indignado com aquele ato,não pensou,pegou um revolver que ele tinha e descarregou no pai dos meus primos,ali acabava a trajetória do famoso Neno do Parque Peruche.)Meus primos foram então mandados para morar com as tias,tudo porque quem pagaria o aluguél apartir daquele ano era o namorado de minha mãe,aquela atitude me arrasou,eu achei uma tremenda injustiça,lembro-me dos meus primos chorando não querendo nos deixar,Wanderlei o mais novo era quem mais chorava,esperneava,se debatia por não querer ir embora,se connosco a vida não era fácil,com suas tias era pior ainda e eles sabiam disso,por esse motivo eles vieram morar connosco,e por esse motivo eles não queriam voltar.Mas minha mãe não se compadeceu e eles partiram.Logo depois meu irmão Marcio com 17 anos também foi embora,alguns dias mais tarde nos mudamos para Osasco,era uma casa de 2 comodos semi- reformada,com um amplo quintal,em um lugar aparentemente tranquilo,eu trago no dedo anelar da mão esquerda uma cicatriz feita por uma palha de aço assassina,eu tinha 6 anos e fui colocada para ajudar a limpar o chão de nossa temporária nova casa na tentativa de tirar a tinta que respingara quando alguem inteligente não forrou o chão ao pintar as paredes,como eu não estava conseguindo por não ter forças no braço,achei que era porque a palha estava inteira,e como eu tinha o habito de lidar com bombril,que era a marca que monopolizava a época,achei que se eu dividisse a palha ao meio teria mais sucesso,caramba ela paressia tão inofensiva,parecia muito com a famosa esponja de aço,não que eu soubesse ler mas hoje eu sei que uma se chama palha de aço,e a outra esponja de aço,mas enfim eu tentei dividi-la com a mão e me lembro que só senti a dor e o sangue começou a escorrer,eu comecei a chorar levei uma bronca e fui dispensada do serviço antes de conclui-lo.Casa limpa,móveis arrumado, nos instalamos e começamos a nossa vida em em pacato bairro de Osasco,minha família estava resumida a 9 membros agora,mais o novo amor da vida de minha mãe,porque pra se desfazer de parentes consanguinios por um cara tinha que ser amor ,paixão,fixação,sei lá,eu nunca entendi,e perguntar, nem pensar criança não tinha voz em casa.Então minha vida era trabalhar e tentar brincar,se minha avó deixasse,uma vez minha irmã adolescente arranhou a perna em uma pia c/ gabinete de brinquedo que eu tinha,na mesma hora minha avó tirou de mim e mandou que jogassem no lixo.Quando chegou Outubro em Osasco o namorado de minha mãe comprou presente para todas as 3 crianças da casa e na hora de entregar me disse que aquele era meu último presente porque eu ia fazer 7 anos e meus presentes seriam: vassouras,rodos,panos,louça pra lavar,até que eu não o achava ruim,mas depois dessa...foi exatamente assim que aconteceu,agora ele mandava,ele decidia.
domingo, 16 de agosto de 2009
Minha avó
Minha avó era o tipo de pessoa que não dava folga pra crianças, era marcação cerrada ,principalmente quando a criança era 1º menina,2º sem pai,e para felicidade de minha avó a maioria eram meninas sem pai,de homem só haviam o Édson e o Marcelo,de mulher haviam a Roseli minha prima,a Silmara a Sandra a Deizy,a Regina minhas irmãs e eu todas sem pais,vale lembrar que quando minha mãe conheceu o meu pai ele já tinha 4 filhos do outro relacionamento que não havia dado certo,por isso minha família era tão grande. Por ser tão implacavél fugir da minha avó era difícil mas não impocivel,uma vez eu tentei correr dela e descobri que crianças correndo de um adulto é perda de tempo,um adulto sempre alcança,sempre pega aí o chicote estala,só o meu primo Wanderlei conseguiu correr uma vez e não ser pego,ele correu para não apanhar mas nós sabíamos que era pior,então pra que correr? mas ele correu e estava decidido a não voltar pra casa ,pois ele sabia que se voltasse o chicote ia estalar,minha avó mandava chamar,mas ele dizia que não ia vir porque ela iria bater nele,o dia passou e minha avó foi vencida pelo cansaço,ela desistiu de bater nele e só assim o Wanderlei voltou da rua,ele foi a única criança que correu dela e conseguiu escapar de apanhar,ele se tornou uma lenda,um herói,nem o irmão dele o Wagner tinha tal coragem,quem não chorava era considerado ruim e o Wanderlei era um que não chorava,a Sandra era outra criança que apanhava muito mas não chorava,então eles eram os ruins.Eu sempre fui boca aberta,mas chorava em secreto,o que nós ainda não sabíamos era que os nossos dias como grande família infantil,estavam contados,aquele que poderia ser considerado de O destruidor de família, ainda estava por vir,e olha que a nossa família não era um exemplo a ser invejado,mas se tornaria pior, e tudo que nós crianças considerávamos um pesadelo e queríamos acordar ou que alguém nos livrasse de lá, tornaria algo destruído sem chance de conserto.
sábado, 8 de agosto de 2009
A mudança
Depois de alguns longos meses de solidão e medo,vivendo entre castigos e surras esperando que algo acontecesse,que alguém viesse e mudasse aquilo, me tirasse daquele porão nos mudamos para outro bairro,era época de Lionel Richie, Atlantic Estar, mais Michael Jackson. Uma época difícil,éramos 3 crianças na casa,Marcelo,Edson e eu,os outros eram adolescentes,Sandra,Roseli,Silmara,Márcio,a maioria eram irmãos por parte de pai,não demorou muito e as crianças da família aumentaram,chegou mais 2 primos para morar conosco, ao todo éramos 11,pessoas vivendo na mesma casa,e a mãe dos meus primos vinha aos finais de semana e elevava esse número para 12,os outros membros eram minha avó e minha mãe,meu pai havia falecido quando eu tinha 3 anos .Um momento que marcou com nossa passagem pelo Jardim Vista Alegre foi quando um dia nós desobedecemos a Roseli minha prima que era quem cuidava de nós enquanto nossa avó e minha mãe iam trabalhar,subimos encima da nossa laje que dava acesso ao quintal de uma vizinha,e lá havia um pé de pimenta,eu nunca tinha ouvido falar de pimenta antes,e foi assim que eu a conheci,peguei na mão para saber oque eram aquelas coisinhas tão vermelhinhas,nem uma das crianças sabiam explicar oque era,mas não bastava só pegar,tinha de abrir,mas só abrir não bastava,tinha de esfregar nas mãos e sentir o odor, só não levei a boca pois tinha por habito não fazer,uma vez curiosidade matada ficamos olhando ao longe,não me lembro porque cargas d´agua levei as mãos aos olhos,não precisei nem esfregar,eles começaram a arder ,e quanto mais eu esfregava mais ardia,não adiantava as crianças soprarem pois eles não tinham forças o suficiente,e eu não sábia se chorava,pulava ou buscava ajuda a quem havia dito para eu não ir à laje.Que sufoco. As noites eram sempre tristes,os adolescentes saíam logo depois de minha mãe,ficávamos com minha avó que era implacável em suas regras que eram adolescentes não saiam,crianças dormiam cedo,não se metiam em conversas de adultos,não tinham credito oral em comparação a ninguém.Vocês já viram segurar 4 adolescentes em casa em um final de semana nos anos 70´s com bailinhos caseiros tocando Lionel Richie,Marvin Gaye,Dianna Ross...,eu também não,elas esperavam minha avó ir dormir e pulavam a janela,era assim que acontecia.Minha avó dizia que eu era muito sossegada desligada,também pudera eu tinha apenas 5 para 6 anos e já havia sofrido abuso sexual aos 4,mas tudo ia razoavelmente bem em comparação ao passado,lembro que minha tia tinha uma peruca que naquela época era moda usar e quando eu colocava me sentia diferente,era divertido,minha mãe tinha muitos amigos que não eram flores que se cheiravam,mas respeitavam muito todas nós,uma casa onde a maioria eram mulheres os homens que tinham eram crianças,morando em um bairro até então desconhecido,mas ninguém ousava mexer nem com as adolescentes nem com as crianças nem com as mulheres adultas da casa,quando essas flores que não se cheiravam precisavam de assistência minha mãe dava,e quando ela achava que tinha de puxar as orelhas,ela puxava,eles gostavam de nós e o mais importante respeitavam todas nós.Minha mãe trabalhava na Sabesp,era encarregada de limpeza e com o salário que ganhava pagava aluguél,água,luz,e.mantinha todas nós com a ajuda da minha avó e da minha tia,mas foi nesse serviço que ela conheceria alguém que mudaria nossas vidas mais uma vez e para sempre com certeza... .
domingo, 2 de agosto de 2009
Quantas crianças precisam de ajuda e não há quem as ajude,é muito difícil para algumas pessoas entenderem, mas não é difícil para quem já passou por situação semelhante;e para piorar a situação você não se sente melhor depois que crescer, não é mais seguro quando você alcança determinada idade,isso não tem solução,porque pessoas que praticaram tais atos no passado faleceram e novas nasceram e continuarão a nascer,e vitimas desses monstros vestidos de seres humanos também,assim é difícil identifica-los para vitimas de tais atos só resta se fechar em seu próprio mundo,sorrir para todos,pois nem todos são assim,desconfiar de todos pois nem todos são confiáveis,e esperar que algo aconteça para proteger possíveis novas vitimas dessa espécie de monstro,pois há outras espécies,e por mais que se faça nunca será o suficiente para por fim definitivo a isso. Saímos de lá e com a saída só recordação ruim na bagagem,e não eram poucas,próxíma parada Vila Dionisia,tempo em que crianças não podiam ser crianças,não que tenha mudado muito agora,pois existem casas e famílias onde crianças ainda não podem ser crianças,em plena cidade grande,em pleno século 21.Na minha "família" naquela época crianças não brincavam,detalhe,crianças do sexo faminino,e para nosso tormento eramos na grande maioria mulheres,ou melhor,meninas.Opressão por todos os lados,agressão não faltava,socorro não havia,mas dias piores viriam,e enquanto esses dias não chegavam...,aprendi que as escolas aqui não se diferem muito das escolas norte americanas,pelo menos no quisito violência,eu temia ir para o antigo pré,haviam duas irmãs que me atormentavam,me levavam até um alto monte e ameaçavam me lançar lá de cima,eu pavor delas,ir ao pré era um tormento,e não tinha socorro,lembro que minha mãe me levava antes de ir trabalhar,haviam vendedores de doces como sempre houve nas portas das escolas,ela comprou doce colocou na bolsa e foi embora,quando eu a vi comprando doce acreditei que ela estava comprando pra mim,no primeiro dia de pré,mas eu estava enganada,me fechei e nunca disse nada,é a única lembrança que eu tenho de minha mãe me levando à escolinha,também lembro dos uniformes vermelhos e brancos,shortes vermelhos,tenis vermelho,meias brancas,camisas também brancas e uma sacolinha vermelha,é a única lembrança boa que eu tenho dessa época.Chegou o tempo de nos mudar para o Jardim Vista Alegre,um começo para um novo tempo de sofrimento.
Assinar:
Postagens (Atom)
